Amar é coisa para Homem!
Quando criança, um dos grandes mistérios era como seria o mundo quando chegasse o ano 2.000. Afinal, eu já teria 32 anos, seria um homem experiente e teria vivido tudo que fosse possível. Estaria estabelecido, com casa, esposa e filhos. Os amores? Bom, até poderia me apaixonar, se desse tempo. O plano era me tornar um homem vencedor, bem-sucedido, constituído uma família, com um bom emprego, sustentando uma casa com conforto, com bastante bens, e dando do bom e do melhor para meus filhos.
Uma das frases que eu mais gosto, é a que diz que “se você quer ver Deus gargalhar, é só apresentar para ele seus planos”. Pois é, entre os planos de criança (e da minha família) e a realidade, existiu uma grande distância. Realmente, tentei aprender a ser “homem”, arranjei um emprego, estudei e procurei uma parceira para partilhar comigo os desafios de “vencer na vida”. Hoje, Deus deve estar dando gargalhadas. Porque, tudo isso só serviu para me deixar bem na foto com a minha família e os meus amigos. Os momentos que realmente me fizeram crescer como ser humano, conquistar coisas, não foram as grandes batalhas no mercado de trabalho, mas sim quando vivi grandes amores. Aqueles em que me apaixonei profundamente e segui meu coração. Ali eu me senti inteiro, com força e com poder para transformar a realidade em que vivia e onde realizei os meus desejos mais profundos.
Essa é a grande ironia. Fui educado para ser um homem racional, não ser frágil, não me deixar levar pelos meus sentimentos. E exatamente aquilo que não me ensinaram e que sempre me disseram que não era coisa de homem, que é seguir meu coração, me entregar aos meus amores, acreditar nas minhas emoções, é que me levaram às grandes realizações da minha vida.
Às vezes me encontro com velhos amigos de Faculdade e o quadro é catastrófico. Homens completamente embotados, alguns em casamentos falidos, outros solteiros (ou separados), vivendo de encontros casuais com sexo superficial para conseguir suportar uma realidade completamente frustrante. A maioria aguentando trabalhos angustiantes, onde o grande prazer é chegar ao final do expediente, sentar numa mesa de bar para beber e se desligar do mundo, levando para casa, no fim da noite, um vazio que nunca é preenchido. Para dormir? Um remedinho básico garante algumas horas de sono, para acordar no dia seguinte e aguentar mais uma sessão diária de tortura.
Quanto ao sexo, o quadro é mais aterrador ainda. Dá para dividir esses homens em basicamente dois grupos. O primeiro são homens casados, com um sexo básico duas vezes por mês e que matam seu tesão com sexo virtual ou garotas de programa. O outro está solteiro, se “satisfaz” com um sexo superficial, na maioria das vezes com mulheres bem mais novas, que serve, no máximo, para alimentar seu falso ego de macho. Mas, para a sociedade, esses são os homens de sucesso. Pois são bons consumidores, pagam impostos, têm internet de alta velocidade, Iphones e trocam de carro a cada dois anos. Porém, o preço pago é muito alto: álcool, drogas, antidepressivos e Viagra para manter o “moral” em cima.
Me recuso a acreditar que o nosso único horizonte seja esse; a aceitar que no mundo não existe espaço para homens maduros que querem viver grandes amores. Me recuso a aceitar esse papo que homens com mais de 40 anos estão aposentados e já viveram o que tinham que viver. Ainda temos muito para viver e muitos amores para saborear.
Vivemos, hoje, uma oportunidade única. Na geração dos nossos pais, mulheres com mais de 40 anos seriam, no máximo, boas avós, que cuidariam dos netos com carinho, sustentadas pelos seus “bons e dedicados” maridos. Hoje temos uma geração de mulheres que passou dos 40 e conquistou sua autonomia financeira, que deseja viver uma sexualidade plena e prazerosa, querendo viver grandes amores.
É na relação com essas mulheres que está a grande chave. O que aconteceria se nos dispuséssemos a abrir nossos corações? Como seria, se nossas relações sexuais fossem mais do que meras descargas? Como seria uma relação onde tivéssemos um poder real, masculino no sentido mais profundo que isso significa? Como seria fazer sexo com uma mulher que olhasse nos nossos olhos e tocasse nosso coração, nos enxergando nus de corpo e alma?
Pois é, essas mulheres estão aí. E nós? Vamos nos contentar com um sexo básico duas vezes ao mês, como fizeram nossos pais? Vamos continuar buscando meninas deslumbradas com falsos homens de sucesso, para camuflar nossa falta de poder? Nossos pais tinham a certeza que aquela era a única possibilidade de vida. Nós não temos certeza alguma, além da convicção de que essa vida e esse modelo de homem só trouxeram miséria para nós e para as mulheres.
O primeiro passo é admitir que temos que reaprender a amar. Não o amor meloso de Hollywood e das novelas da Globo. Mas o amor que nos transforma e faz crescer. Para isso, vamos nos expor, mostrar nossas fraquezas, expressar nossos desejos de uma vida que vai muito além dos 40. Esse Blog é o espaço para darmos o primeiro passo, falar sobre isso e assumir que temos muito que aprender. Temos que saudá-lo. Assumir que temos, sim, quarenta e muito! Muito desejo de sexo, de amor e de vida!
